
terça-feira, novembro 23, 2010
Panela de pressão

quinta-feira, novembro 18, 2010
O teu genoma está cheio de lixo!!!

Na verdade é o teu, o meu, enfim o de todos nós. O DNA repetitivo contribui com cerca de 50% do nosso genoma. Deste "junk DNA" nem todo será verdadeiro lixo porque, embora não seja codificante (obviamente), há muito DNA repetitivo com funções estruturais e funcionais que são fundamentais na dinâmica do cromossoma na replicação (origens de replicação), integridade estrutural na replicação das extremidades (telómeros) e na segregação mitótica (centrómero).
quarta-feira, outubro 13, 2010
domingo, outubro 10, 2010
sexta-feira, outubro 08, 2010
Animação sobre Western blot
segunda-feira, outubro 04, 2010
Há quase 11 anos!
terça-feira, setembro 28, 2010
BSA

A bovine serum albumin (607 aminoácidos; 66,4kDa; estrutura na imagem tal como aparece na Protein Data Bank) serve para tudo, desde preparação de soluções padrão para quantificar proteína em amostras, a adjuvante de reacções enzimáticas em biologia molecular e em imunoquímica para reacções antigénio-anticorpo. Estas são algumas das utilizações da BSA no laboratório.
O seu papel biológico também é diverso. É a proteína sérica mais abundante e que mais contribui para a pressão oncótica que permite o fluxo constante de fluídos do meio extracelular para a corrente sanguínea (há formas de edema que são causadas por proteinúria, por exemplo). Mas há mais, muito mais. É uma proteína com grande afinidade para o estabelecimento de ligações com pequenas moléculas e iões. Muitas destas moléculas são apolares e, assim, o seu transporte pela corrente sanguínea é feito sob a forma de complexos com a albumina. Como exemplos temos hormonas, ácidos gordos e bilirrubina.
Ao ligar fármacos administrados ao organismo modula a sua biodisponibilidade pois gera-se um equilíbrio entre a fracção solúvel no plasma (que depende da polaridade do fármaco e é a que está disponível para a ligação ao alvo terapêutico) e a fracção ligada à albumina (sem acção farmacológica). À medida que a fracção solúvel se liga ao alvo terapêutico, baixa a sua concentração no plasma e o equilíbrio adapta-se de modo a libertar moléculas do fármaco ligadas à albumina. Assim, os níveis plasmáticos mantêm-se constantes e o efeito terapêutico prolonga-se.
É claro que isto não é para sempre. Quando a fracção ligada à albumina já não compensa a que se liga aos alvos terapêuticos, os níveis plasmáticos baixam, podendo ficar abaixo da concentração mínima com efeito farmacológico. Antes disso acontecer, há que tomar mais um comprimido.
domingo, setembro 26, 2010
I'm back!
quarta-feira, maio 06, 2009
Professor Baltazar
Um dos maiores cientistas de todos os tempos (uma homenagem ao Vasco Granja que marcou uma, ou mais, gerações de miúdos).
Koniec
terça-feira, março 31, 2009
terça-feira, março 24, 2009
Sinalização celular

Serve para tudo, desde a simples indicação de se manter viva, de se alimentar (transportar glucose e metabolizá-la) e até para cometer suicídio. As células só fazem aquilo que lhes é indicado.
segunda-feira, março 23, 2009
terça-feira, março 10, 2009
sexta-feira, dezembro 19, 2008
"Green-beard gene" em levedura

terça-feira, novembro 25, 2008
"...fruit flies make beautiful experiments possible"
sábado, novembro 15, 2008
Helicase de emparelhamento "specifically designed"
Esta é a parte científica que me tinha chamado a atenção. O meu espanto, se calhar maior do que a descoberta da HARP, foi encontrar a seguinte frase:
The discovery represents the first time scientists have identified a motor protein specifically designed to prevent the accumulation of bubbles of unwound DNA, which occurs when DNA strands become improperly unwound in certain locations along the molecule.
Nesta frase está um erro científico que não deveria surgir, a menos que a entrega destes textos de divulgação esteja a cargo de pessoal sem formação na área científica (o que, mais uma vez, nunca deveria acontecer). Refiro-me ao "specifically designed" que remete a criação da HARP para uma entidade inteligente com capacidade de análise do problema do desenrolamento do DNA e de programar a formação de proteínas capazes de corrigir esse defeito. Essa entidade poderia ser Deus ou, até, a própria célula. Como se pode constatar, isto já não é ciência e a presença desta expressão num texto de divulgação científica transmite uma ideia totalmente oposta áquela que deveria ser veiculada: os sistemas biológicos são o produto da evolução e selecção natural de longos períodos de tempo à escala geológica por mecanismos de produção de variação, nomeadamente de proteínas, e de selecção daquelas que conferem uma vantagem competitiva. Neste contexto a HARP não foi especificamente desenhada para prevenir a acumulação de bolhas de DNA desemparelhado mas, sim, a actividade da HARP faz com que as células não acumulem bolhas de DNA desemparelhado. E pronto, a carga determinista desaparece. Esta pequena diferença na escrita faz uma diferença do tamanho do mundo nos conceitos científicos.
segunda-feira, novembro 03, 2008
Não há mais


Parece que o tirolês que ficou preso num glaciar há 5300 anos pertencia a uma linhagem que se extinguiu. A análise do seu DNA mitocondrial determinou um haplogrupo que não se encontra nos europeus modernos. Enfim, ficou o seu corpo preservado no gelo para nos testemunhar esta linhagem sem sucesso. A nível molecular já bateu um recorde: o especimen de Homo sapiens mais antigo com o DNA mitocondrial sequenciado. Há muitas formas de atingir a fama; esta é original.
domingo, outubro 26, 2008
Fome, olfacto e longevidade

Vermes (Caenorhabditis elegans) com neurónios envolvidos na detecção de alimento afectados vivem mais apesar de se alimentarem normalmente (ver aqui e aqui, com um título bem explícito). Lá se vai a restrição calórica como processo de prolongamento do tempo de vida.
O que parece ser mais importante para um aumento do tempo de vida é a sinalização de falta de alimento. Por isso os vermes atingem tempos de vida prolongados tanto com restrição calórica como com etosuximida que inibe os tais neurónios cuja actividade está aumentada quando há presença de alimento (aquilo que corresponderá ao olfacto). Assim, parece que a sinalização de ausência de alimento (mesmo que mentirosa) induz o organismo um estado de adaptação que leva ao abrandamento do metabolismo, do crescimento e prolongamento do tempo de vida.
Afinal poderemos prolongar a nossa vida sem passar fome! No entanto, se for à custa da etosuximida, não tiramos muito proveito pois um dos efeitos secundários é a perda do paladar.
sexta-feira, outubro 24, 2008
A treta do Magalhães (o computador, que o navegador não tem culpa nenhuma)

Estou a ficar convencido que há um processo de imposição do Magalhães nas escolas. O pior é que quem vai lucrar é o governo na sua campanha eleitoral, pois os utentes vão receber uma máquina obsoleta que, mesmo por 50€, me parece cara (é ver alguns comentários aqui). Bom, parece que vem aí uma versão nova com o processador atom. Vai sair mais caro (sem se saber quanto pois "não convém") nas lojas mas sem alteração de preço nas escolas, o que quer dizer que vai sair mais caro aos contribuintes.
Sou contra estas modas dos planos tecnológicos enquanto programas centralizados em gabinetes de instituições criadas em ministérios onde abundam burocratas que têm que justificar a sua existência com iniciativas deste género, ignorando que a adesão às novas tecnologias requer formação sólida de base em escolas, com computadores, claro. Parece-me que se está a deixar para segundo plano, no 1º ciclo, aprender as bases da leitura, escrita e matemática que dão as competências essenciais em toda a aprendizagem posterior. Eu que sou professor, constato diariamente esta falta de bases. Custava muito menos ao estado fornecer 30-40 portáteis (dos bons) a cada escola que seriam utilizados rotativamente por todas as turmas nas actividades de informática, do que andar nesta onda do choque tecnológico. Alguma vez pensaram que um miúdo com um computador na mochila é um alvo fácil para ser assaltado? E na escola, não haverá miúdos a roubar e a andar aos pontapés aos computadores dos colegas?
Estive a ver o site do portátil Magalhães e fiquei estarrecido com algumas pérolas como esta: "Uma das respostas que muitos leitores do blog têm feito, e que nalguma medida tem ficado sem resposta, dadas ainda algumas indecisões, prende-se com as ofertas específicas de Internet banda larga para o Magalhães" Não, não são as "respostas que muitos leitores do blog têm feito" (!), são as "algumas indecisões" sobre a internet. Isto tem muito que se lhe diga. O formulário que é entregue na escola aos miúdos para os pais preencherem tem, no campo inferior (ver figura), uma escolha de operador de comunicações e, depois, a escolha de opção de acesso à banda larga. Como é que o operador tem que ser escolhido se eu posso prescindir da banda larga? Só vejo uma resposta possível: por defeito, o computador vem com acesso à internet, sem ser por banda larga, e disponibilizado por um dos operadores que constam no formulário. Acontece que eu tenho internet por cabo da Bragatel; teria que ter uma segunda conta de internet? Nada disto é esclarecido no site do Magalhães nem é informado no documento fornecido pela escola juntamente com o formulário. E no entanto, já nos pedem para aderir...
quarta-feira, outubro 22, 2008
A evolução humana em curso
Os trabalhos referidos nesse artigo baseiam-se no HapMap, um projecto internacional destinado a catalogar as semelhanças genéticas entre seres humanos. Apenas cerca de 1% do genoma humano tem variação entre indivíduos e é constituído em grande parte por SNP's (single nucleotide polymorphisms; polimorfismos de um só nucleótido). Estes parecem estar organizados, ou ligados, pois, para um dado alelo, os SNP's que estão mais próximos no cromossoma variam pouco numa dada população. Isto constitui um importante marcador genético de populações e de indivíduos.
terça-feira, outubro 21, 2008
Proteína verde fluorescente

Em cima: peroxissomas de levedura marcados com proteína verde fluorescente. Em baixo: as mesmas células observadas sem fluorescência (fotos: Rui Oliveira)Um exemplo de investigação fundamental que resultou em aplicações práticas importantíssimas. Estas aplicações não são na vida comum do dia-a-dia mas na própria investigação em biologia. Passou a ser possível acompanhar visualmente proteínas e organelos in vivo ao longo do tempo.
Manter a tradição
terça-feira, maio 13, 2008
A face de um velho

quarta-feira, abril 30, 2008
Replicação de DNA
terça-feira, abril 22, 2008
Tóquio

segunda-feira, abril 21, 2008
Bacteriófagos
PCR
quinta-feira, abril 17, 2008
A cicatriz bioquímica
segunda-feira, abril 14, 2008
"Transdução" de sinal
sexta-feira, abril 11, 2008
Olho no passado
Estruturas de proteínas
quarta-feira, abril 09, 2008
"Produtos interactivos de elevado impacto para o ensino superior"
sábado, março 01, 2008
quinta-feira, janeiro 17, 2008
domingo, dezembro 30, 2007
Eles andam por aí?
Se há determinismo biológico, então pode-se procurar vida extraterrestre na Terra, pois, nesse caso, a vida deverá ter surgido mais do que uma vez. A possibilidade de seres de uma origem serem eliminados por seres de outra origem não será provável pois se são origens de vida em locais com características diferentes, os seres resultantes de cada uma não iriam partilhar nichos ecológicos, logo, não competiriam entre si. Como exemplo (sem se tratar, obviamente, de aliens), pode-se referir a existência simultânea das arquebactérias associadas a ambientes extremos e as eubactérias mais normais em termos de habitat.
Se eles estão entre nós, e se são micróbios, então é muito difícil identificá-los. A morfologia é uma característica com baixo poder discriminatório e os métodos para detecção de formas de vida baseiam-se nas formas de vida que nós conhecemos (DNA, RNA, proteínas, tipo de metabolismo, etc), ou seja, os extraterrestres podem estar na amostra debaixo dos nossos narizes mas não os conseguimos detectar (este problema pode ter acontecido e ainda ocorrer em Marte). No artigo são discutidas algumas possibilidades de alternativas metabólicas e químicas para estes aliens. Um exemplo incrível é o Anaerovirgula multivorans um microrganismo com a capacidade absolutamente extraordinária de digerir nutrientes espelho (a conformação química é a imagem no espelho como por exemplo aminoácidos D em vez da forma L biologicamente universal, que não são utilizáveis por não terem capacidade de se ligar ao centro activo das enzimas do metabolismo). Este promissor alien afinal revelou-se um nosso companheiro de origem de vida, pois o seu metabolismo baseia-se em compostos com a mesma conformação dos restantes seres. A diferença é que antes de os metabolizar, converte os compostos espelho nas formas usuais (provavelmente com enzimas específicas para esta tarefa).
sábado, dezembro 29, 2007
"Extraterrestres" que não são micróbios
terça-feira, dezembro 18, 2007
Passado húmido em Marte
quarta-feira, novembro 21, 2007
"They are probably more clinically relevant than embryonic stem cells"
Aparentemente, as células são mais fáceis de manipular do que se poderia imaginar. Se calhar é só "mexer" nos sítios certos!
quarta-feira, novembro 14, 2007
A insónia de Michael Palin

Um estudo de caracterização fisiológica e bioquímica da adaptação dos tibetanos à altitude acaba de ser publicado (ver comentário aqui). Uma das adaptações tem que ver com a produção elevada de óxido nítrico causando vasodilatação e maior fluxo sanguíneo. Outra das adaptações dos tibetanos é a elevada quantidade de antioxidantes no organismo, que poderá estar relacionada com o potencial oxidante do óxido nítrico. Outro dado interessante é a elevada pressão sanguínea sem desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Um aspecto interessante do estudo é o de salientar a relevância de factores vasculares nesta adaptação em detrimento dos "tradicionais" factores hematológicos e pulmonares. Naturalmente, na capacidade respiratória os tibetanos são campeões. Afinal, este povo vive a 4500m de altitude! Quando Michael Palin realizou no Tibete uma parte das suas viagens na Ásia, houve um episódio em que não conseguia dormir porque inconscientemente estava a fazer uma frequência elevadíssima de inspirações e expirações, compensando o facto de ser um organismo do "nível do mar" a respirar o ar rarefeito dos 4500m de altitude.
sexta-feira, outubro 05, 2007
"What's true for E. coli is true for an elephant"
Na Seed , Carl Zimmer acaba de publicar um artigo sobre a problemática da definição de vida. Muito interessante a contribuição de filósofas como Carol Cleland da Universidade do Colorado. Sem a comparação com formas de vida não convencionais, como serão presumivelmente as extraterrestres (vida não darwiniana como por exemplo células com enzimas mas sem genes que se poderiam reproduzir por divisão), é muito difícil encontrar as características típicas de vida. Não será preciso sair da Terra para as encontrar num futuro próximo. Há muito trabalho já feito na área da biologia sintética. Vida sintética seria possível com um conjunto de genes essenciais à vida (Craig Venter outra vez) e vida sintética com base em RNA (Jack Szostak de Harvard Medical School).
A referência à obra seminal de Schrodinger não poderia obviamente ser evitada neste artigo. "What is life?", como é recordado por Zimmer, influenciou Watson e Crick (o DNA como um cristal aperiódico) e a futura disciplina científica Biologia Molecular.
Estranhos seres vivos do planeta Terra: Conan a Bactéria

Um herói, este Deinococcus radiodurans ou, como também é conhecido, "Conan a Bactéria". A alcunha (e o seu nome de espécie) não poderia ser mais apropriada. Algumas propriedades: suporta 3000 vezes mais radiação do que aquela suficiente para matar um ser humano, suporta condições extremas de secura, UV e stresse oxidativo. Por isso é classifcado como um poliextremófilo. Agora algumas das características do seu genoma/proteoma: o número mais elevado de proteínas não relacionadas filogeneticamente com outros organismos, com 19 famílias de proteínas únicas; elevada quantidade de sequências repetitivas; e tem quatro elementos cromossómicos em vez de um apenas como é comum em bactérias.
A capacidade de resistência a doses elevadas de radiação parece estar relacionada com o mecanismo de reparação de DNA que faz a montagem do genoma após fragmentação por radiação ionizante em doses elevadas. Craig Venter parece que já está a tentar explorar a capacidade de reparação de DNA desta bactéria para fazer Biologia Sintética.
Se há extraterrestres na Terra, aposto que é este.
terça-feira, setembro 25, 2007
Eis o Outono
sábado, agosto 18, 2007
O que é que a moral tem que ver com a ecologia e democracia?
PS (post scriptum): este país é mesmo uma república das bananas; como é que a GNR permite este tipo de vandalismo nas suas barbas!
quarta-feira, agosto 08, 2007
Raios cósmicos no DNA
Este trabalho tem a colaboração da NASA por motivos óbvios. Missões tripuladas a planetas próximos como Marte provocarão a exposição de seres humanos aos raios cósmicos durante mais de 3 anos. O trabalho publicado baseia-se na utilização de um modelo matemático que converte dados experimentais em imagens artificiais de microscopia.
segunda-feira, julho 23, 2007
A morte é certa
O envelhecimento é bem mais fácil de explicar em micróbios, pois como qualquer ser vivo, estão sujeitos a degradação dos seus componentes (macromoléculas, organelos), deficiência funcional e, por fim, inviabilidade. O que é interessante é que a nível celular e molecular este processo parece ser extremamente bem conservado desde leveduras a humanos. Há trabalho publicado identificando o papel fundamental das mitocôndrias e o estado de oxidação das macromoléculas. Genes envolvidos em vias de regulação de utilização de glucose são homólogos na levedura, verme e mamíferos, sendo a sua inactivação resultante num prolongamento da longevidade (daí a célebre restrição calórica para prolongar a vida). Em comum também há genes envolvidos na resistência a stresse oxidativo. O caso da levedura é espectacular pois o aumento da longevidade pode ser até 3 vezes mais por activação de genes de resistência a stresse oxidativo (em simultâneo com a inactivação dos genes de consumo da glucose).
Em levedura estudam-se dois tipos de idade: idade cronológica medida pela capacidade das células manterem viabilidade quando se encontram em culturas em que a fonte de carbono e energia já se esgotou e a idade replicativa medida pelo número de células descendentes que produzem. Aqui a analogia com os humanos também é aplicada. Enquanto que a idade cronológica tem que ver com o envelhecimento das células do organismo humano adulto (em situações normais a maior parte delas em situação pós-mitótica (fase G0), a idade replicativa é análoga à viabilidade das células estaminais (as tais que fazem sempre mitoses para produzir novas células diferenciadas).
segunda-feira, julho 09, 2007
Selecção darwiniana em células artificiais
Zheng e Roberts da New England Biolabs (empresa de referência de reagentes para biologia molecular, particularmente em enzimas de restrição) usaram este sistema para seleccionar genes codificantes para enzimas de restrição. Como as enzimas de restrição cortam DNA em locais específicos, deixando extremidades nas moléculas que são compatíveis para ligação, o fenótipo é a quebra do DNA em que as suas extremidades são conhecidas; por expressão do gene na gotícula que codifica para a enzima de restrição, produz-se a proteína activa que, obviamente, vai cortar o "seu" gene. Ora isto só acontece nas gotículas que contêm esse gene. Assim, isolando o DNA total de todas as gotículas, Zheng e Roberts fizeram a reacção de ligação com adaptadores de DNA específicos para os fragmentos obtidos por acção da enzima de restrição (PstI, no caso). Posteriormente, fizeram PCR específico para esses adaptadores. Deste modo, amplificaram apenas o gene da PstI. Em 2-3 ciclos de expressão, isolamento de DNA, ligação com adaptadores e PCR conseguiram fazer com que esse gene fosse a única molécula de DNA no sistema.
Tomando a analogia com Darwin ao extremo, este sistema poderá ter aplicações no melhoramento de moléculas úteis em biotecnologia. É só desenhar um modelo de selecção conveniente e simples. Creio que Darwin nunca sonhou com selecção natural molecular.
segunda-feira, julho 02, 2007
Blake and Mortimer

Partilho com Pacheco Pereira um dos livros da sua vida, O Enigma da Atlântida do belga Edgar P. Jacobs que fui acompanhando, semana a semana, através da extinta revista Tintin. O primeiro que li, e que mais me marcou, foi A Marca Amarela. Talvez tenha sido por isso, mas foi certamente por ter sido publicada na Tintin a versão a preto e branco que realçava o lado obscuro de Londres permanentemente submersa em nevoeiro com que se confundia, vestido completamente de negro, o eterno rival da dupla de heróis: Olrik. Está lá a Londres da história de Jack o estripador e dos filmes do período britânico de Hitchcock. O clima da ameaça sobre a cidade (mais actual que nunca) é único.
domingo, julho 01, 2007
Avery MacLeod McCarty, parte II?
sábado, junho 30, 2007
Sinal dos tempos?
Não é só por cá...
(via http://www.openscience.org/blog/)
sexta-feira, junho 29, 2007
Acreditem, não tenho palavras...
Já tem alguns meses e é uma estupidez pegada, mas não resisto! O tom sensacionalista por vezes assemelha-se à realidade.
quinta-feira, junho 28, 2007
Farmácias em seres vivos
O caso da Salinispora tropica é exemplar. Foi isolada originalmente de sedimentos marinhos nas Bahamas e verificou-se ser produtora de compostos promissores no tratamento do cancro (nomeadamente a salinosporamida A, já em ensaios clínicos). A pista que revela o seu interesse como potencial fonte de compostos com actividade farmacológica vem do seu genoma: tem uma proporção anormalmente elevada de genes envolvidos na produção de compostos com acitividade antibacteriana e anticancro (10% contra os normais 6-8%).
sábado, junho 23, 2007
domingo, junho 17, 2007
Estranhos seres vivos do planeta Terra
As suas enzimas são termofílicas o que as faz potencialmente úteis em biotecnologia. A sua DNA polimerase, Pfu DNA polimerase, é usada em PCR. É termostável como a Taq DNA polimerase (de Thermus aquaticus, um organismo também termofílico) mas copia o DNA com mais fidelidade (1,3e-6 contra 8,0e-6; em frequência de mutação/par de nucleótidos/duplicação). Embora seja mais lenta (1-2 minutos por 1000 nucleótidos) que a Taq DNA polimerase, a Pfu faz parte das enzimas de elevada fidelidade de cópia, sendo por isso aplicada em clonagem.
Aposto que há muitos locais no Sistema Solar óptimos para este organismo.
terça-feira, junho 12, 2007
Ambiente alienígena
Foi um serão excelente a recordar os sonhos de Carl Sagan, os devaneios de Fred Hoyle, o fascínio de Marte e dos marcianos no nosso imaginário e o confronto de ideias na história da ciência. Foi o primeiro em que participei e tenciono não perder mais nenhum.
domingo, junho 10, 2007
11 anos de pós-genómica
terça-feira, junho 05, 2007
Dois meses
quinta-feira, maio 31, 2007
Vida em Marte
Isto não é muito surpreendente uma vez que desde 1990, Woese já havia proposto a criação do reino Archaea que engloba as arquebactérias que partilham, entre outras características, a extremofilia (adaptação a ambientes extremos como salinidade, calor, acidez e pressão). O potencial biotecnológico destes seres é enorme devido ao facto das suas enzimas estarem também adaptadas para uma actividade óptima na condição ambiental extrema (o caso da temperatura é o mais elucidativo, uma vez que não será possível a uma célula alterar a temperatura intracelular para fazer face a um ambiente de 90ºC; o que já não se poderá dizer da salinidade em que a concentração intracelular, se bem que elevada, será menor que a ambiental). Um exemplo da rotina laboratorial em genética e biologia molecular é a enzima termofílica Taq DNA polimerase usada no PCR.
Em suma, se há vida em ambientes extremos na Terra, nada impede que haja vida em ambientes extraterrestres (extremos ou não). O que Karl e colaboradores mostraram é que amostras de substratos semelhantes ao solo marciano permitem o desenvolvimento de organismos vivos. Por isso a presença de microrganismos em planetas com ambientes muito diferentes do nosso é previsível. Quanto à vida inteligente, isso é outra história. Organismos vivos inteligentes pressupõem multicelularidade, comunicação celular, fluídos para transportar nutrientes e moléculas mensageiras. Ambientes extremos como temperatura e pressão osmótica afectam as propriedades físicas dos fluídos, agregação celular e, por exemplo, a conductividade eléctrica. A não ser que estas formas de vida sejam baseadas noutra substância que não a água...
sexta-feira, maio 25, 2007
sexta-feira, maio 18, 2007
Microfluídica multiplex
O grupo de Patrick Doyle do MIT desenvolveu um sistema que permite produzir micropartículas de polietilenoglicol com duas regiões; uma para identificação com um código semelhante a um código de barras (passível de ser lido por um aparelho análogo a um citómetro de fluxo) e outra de detecção do analito. Assim, poderá vir a ser possível usar uma mistura de milhões destas partículas para detectar DNA, RNA, proteínas e metabolitos com as quais possam interagir, tudo num só ensaio num curto período de tempo (Pregibon, D.C. et al., Multifunctional encoded particles for high-throughput biomolecule analysis. Science 315: 1393-1396 2007).
A análise biológica em larga escala, os omics, não tarda muito em fazer parte das nossas vidas.
terça-feira, maio 15, 2007
Levedura modelo
Novamente a levedura a servir de modelo científico em problemas científicos fundamentais em biologia. Depois de, por exemplo, ter sido escolhida como primeiro organismo para sequenciação do genoma e para a análise à escala genómica dos níveis de transcrição génica por microarrays, a levedura surge também como organismo modelo na emergente área da biologia de sistemas. Neste caso o problema da regulação do crescimento celular foi analisado a nível da transcriptómica, proteómica, endometabolómica e exometabolómica. Sem surpresas, a maior parte dos genes positivamente regulados com o aumento da taxa de crescimento têm ortólogos noutros organismos, incluindo humanos.
quinta-feira, maio 10, 2007
Não é só o conteúdo que é importante
Um artigo interessante (Moore. 2000. Writing about biology: how rhetorical choices can influence the impact of a scientific paper. Bioscene 26:23-25), em que se faz a comparação dos estilos de escrita de dois artigos que marcaram a história moderna da biologia, permite constatar a importância do modo de relatar os resultados no impacto das descobertas. Os artigos analisados são Watson, J.D. and F.H.C. Crick. 1953. Molecular structure of nucleic acids: a structure for deoxyribose nucleic acid. Nature 171:737-738 (disponível para download aqui) e Avery, O.T. , C.M. MacLeod, and M. McCarty. 1944. Studies on the chemical nature of the substance inducing transformation of pneumococcal types. Journal of Experimental Medicine 79:137-158 (disponível para download aqui).
O reconhecimento atingido por Avery e colaboradores não faz de facto justiça ao seu contributo científico dos resultados relatados no artigo de 1944. Imagino que possa haver mais explicações (confesso que a estrutura molecular do DNA é muito mais apelativa do que uma série de experiências em que se misturam extractos de bactérias com bactérias vivas, injecções em ratinhos e análise da sua sobrevivência) mas a comparação dos dois artigos no que diz respeito à extensão do artigo, nível de detalhe, confiança dos autores que transparece do texto, poder de argumentação e poder de persuasão revela uma maior consciência comunicacional por parte de Watson e Crick. Como exemplo reparem nos títulos dos dois artigos; o de Watson e Crick é afirmativo e inclui a mensagem principal enquanto que o de Avery e colaboradores é vago e não refere sequer o DNA.
domingo, abril 15, 2007
Actividade eléctrica de uma só célula
sexta-feira, abril 13, 2007
Portugal mais pobre

Hoje no Público: "Comerciante espanhol devastou centenas de zimbros no Parque Natural do Douro". Em subtítulo: "Espécie não é protegida em Portugal, ao contrário do que acontece no país vizinho, onde tem elevado valor comercial".
Se os zimbros andassem fariam como os linces; mudavam-se para Espanha!
E agora é preciso ter juizo!

Em 1967, no rescaldo da descoberta do código genético, Marshall Nirenberg discute (Nirenberg, M. 1967. Science 157) se a sociedade estará preparada para as novas perspectivas na manipulação genética que se abriram com este marco histórico. É um encanto ler alguns exemplos avançados destas novas perspectivas, mesmo num registo muito realista. Já na altura se discutia que a ciência andava depressa demais para o exercício do poder conferido por avanços científicos não ser contrabalançado por condições sociais favoráveis. Daí a pergunta: "will society be prepared?"
segunda-feira, abril 09, 2007
Clatrina

A PDB (Protein Data Bank) é uma base de dados valiosíssima sobre macromoléculas, permitindo o acesso livre a estruturas e outra informação científica. Para além de recursos educacionais excelentes (ver exemplo aqui), tem uma secção dedicada à molécula do mês. Abril é o mês da clatrina (já abordada na Biologia Molecular e Celular da Engenharia Biomédica ; já não falta muito para a Engenharia Biológica). Nesta secção encontra-se uma descrição didática da molécula ilustrada com gráficos informativos . Vale a pena pesquisar as moléculas dos meses anteriores e ir acompanhando as que estão para vir.
sexta-feira, março 30, 2007
Molecular approaches to cancer research

For those interested in cancer research involving the comet assay, heat shock proteins, epigenetics, genotoxicity and chemoprevention by natural compounds this workshop might be helpful. The course will take place at the Department of Biology of the University of Minho in Braga, Portugal, 1-4 May 2007. For more information visit this site or contact me.













